Já faz 20 anos desde a queda do muro de Berlim e, mais de 40 anos de sua construção, porém as cicatrizes marcadas no chão na capital alemã estão vivas através de uma estreita faixa de paralelepípedos. Considerado o símbolo da Guerra Fria, o muro da oposição entre o capitalismo e o socialismo, entre a área de influência norte-americana e a área de influência soviética deixa legados não só para a Alemanha e a Europa em um todo, mas para o mundo assistiu a guerra de ameaças entre super potências e a consolidação do capitalismo.
A ruptura do muro, em 9 de novembro de 1989 significou o início de uma nova era, possibilitou a cidadãos e refugiados da Cortina Ferro – termo que designava, durante a Guerra Fria, os países comunistas europeus sob influência soviética – a desvendar o mistério do “outro lado” e poder do consumo – e de quebra, fazer parte da decadente burguesia ocidental.
O muro tinha vida e ainda faz presença na cidade, hoje mais turística do que habitada. Hoje, uma Alemanha desenvolvida, ainda não pode se dizer é totalmente unificada. Há diferenças marcantes nos índices de empregos dos distintos lados: ocidente e oriente, resquícios do efeito de quatro décadas de totalitarismo. Contudo prevê-se que em dez anos não haverá diferenças no país reunificado. Será?
Para o britânico Eric Hobsbawn, ícone da historiografia, o principal efeito da queda do Muro de Berlim foi a desestabilização da geopolítica mundial em prol da superpotência remanescente – os EUA, que não é mais. Em seu livro “A Era dos Extremos” (Cia das Letras), ele já defendera os desdobramentos da queda do muro como crucial para o rápido século 20, marcado pela destruição de um sistema internacional estável, a morte do socialismo em sua única tentativa prática.
Porém, a ensaio do socialismo ainda não chegou ao fim. O capitalismo, forte e vistoso difundido pelos EUA, iludidos que poderiam como uma única superpotência a exercer hegemonia, fracassou. Responsáveis pelo colapso mundial – a crise financeira eclodida no final de 2008 é aos olhos de historiador Hubsbawn, o novo muro de Berlim, agora do Neoliberalismo, o qual oferece (supostamente) uma chance de reabertura para perspectivas esquerdistas, todavia com a ideologia repaginada.

O texto está bem interessante. Vocês destacam uma questão fundamental, a permanência de diferenças e conflitos entre as duas Alemanhas. Há no entanto, um problema, a perpetuação dos conflitos e das desigualdades não são consequência somente dos anos de totalitarismo. O capitalismo a reafirma, pois, interessa obter mão de obra barata e alemã; assim, a presença de um muro invisível justifica-se tanto pela história dos anos de domínio soviético quanto pelas características do capitalismo contemporâneo.