A barreira física imposta à Berlim não representava apenas a divisão da cidade, mas a divisão do mundo em dois blocos ideologicamente distintos: o socialista e o capitalista.

Em 1961, a RDA inicia a construção do Muro de Berlim.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a capital da Alemanha, Berlim, foi repartida entre os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e União Soviética – até então, aliados na luta contra o nazi-fascismo. Contudo, os países capitalistas fundiram seus territórios, formando a chamada República Federal da Alemanha – a Oeste – e, consequentemente, acirrando a disputa tácita com a União Soviética que, por sua vez, constituiu a República Democrática Alemã – a Leste. Enquanto as zonas capitalistas evoluíam bem sob a administração dos próprios alemães, as zonas socialistas enfrentavam dificuldades, até porque eram trechos rurais, denominados junkers, subjugados aos soviéticos.
A guerra ideológica impingida pelas duas potências – conhecida como Guerra Fria, por não ter o enfrentamento efetivo das mesmas – anulou as chances de reunificação da Alemanha, apesar da coexistência pacífica, firmada por diálogos entre as potências, a fim de evitar um desastre nuclear. Até o ano de 1961, os berlinenses podiam passar livremente de um lado a outro da cidade, porém devido a migração maciça para o ocidente, o governo oriental decidiu reforçar o controle sobre a população. Em agosto do mesmo ano, a RDA deu início à construção de um muro na cidade de Berlim, como forma de impedir a fuga dos moradores orientais para os bolsões capitalistas. Além disso, também instauraram leis que não consentiam a passagem para a região Oeste. Dessa maneira, o Muro de Berlim se tornou o maior símbolo da bipolaridade, isto é, a separação do mundo em áreas de influências do Capitalismo e do Socialismo.
O muro cortou cemitérios, bairros e ruas – portanto, inúmeras famílias foram separadas à força. Ele tinha cercas elétricas, valas e mais de 300 torres de vigilância com soldados armados, prontos para atirar em qualquer pessoa que tentasse ultrapassar o paredão. No decorrer de mais de duas décadas, pelo menos 125 pessoas foram mortas, cerca de 200 ficaram feridas e mais de 3.200 foram presas, suspeitas de planejar fuga.. A estética da obra, por sua vez, era tosca e cinzenta, denotando a falta de sensibilidade das autoridades soviéticas, que puseram em xeque a imagem do Socialismo ao realizar uma estrutura tão bruta – não só na aparência.
As potências ocidentais ficaram insatisfeitas com a manobra da União Soviética, porém não fizeram efetivamente nada para derrubar o muro. A zona Oeste de Berlim, mais industrializada e que até então recebia mão-de-obra da região Leste, passou a estimular a vinda de trabalhadores turcos, já que o fluxo de migrantes berlinenses tinha sido reduzido de forma drástica.
No dia 9 de novembro de 1989, com o enfraquecimento da União Soviética, a população alemã de ambos os lados se uniu e derrubou o muro, que representou por muito tempo a partilha da Alemanha e, acima de tudo, a bipolarização do mundo durante a Guerra Fria. Por 28 anos, os alemães conviveram com a violência propagada pelo Muro de Berlim e, consequentemente, com os estereótipos criados por ele – que continuam arraigados à sociedade alemã, que ainda distingue, com algum preconceito, suas regiões e seus respectivos costumes.